Friday, 16 August 2013

Hunguhungu

Hunguhungu ou Fedu é uma forma tradicional de dança circular realizada pelas mulheres do povo Garifuna de Belize, Honduras, Nicarágua e Guatemala. A música é composta de temas rítmicos executados por três percussionistas com a alternância de cânticos de chamada-e-resposta, exibindo um património Africano claro. É por vezes combinada com Punta.

O Hunguhungu é frequentemente realizada durante um ritual chamado de adugurahani ou Dugu, praticado pelos Garifunas para se comunicarem com os seus antepassados. A dança também é exercida por mulheres Garifuna adultas durante a Semana Santa de Páscoa para indicar tristeza ou lamentação.

As canções, cantadas por elas, contém elementos e tópicos expressivos dos sentimentos das mulheres, direcionadas a situações atuais em suas comunidades, com mensagens sérias, como "Um homem que comete um crime , só vai acabar morto ", ou" um homem que comete um crime, algum dia será circulado por abutres (urubus) e iremos encontrar o corpo dele. "





Professor Angel Batiz Mejia, quoted in
Barauda brings traditional Garifuna dances to Teguz, Honduras

Pesquisa e traducao: A. Kandimba














Monday, 5 August 2013

O mito Marimba: A Mãe da Música




Debaixo de uma jovem árvore musharagi, ao lado do rio, ascendeu um flamingo sagrado para o ar com cheiro de floresta. . . . E então ela apareceu, o Espírito de beleza personificada, irradiando uma beleza que falava de um Deus em sua alma.

A sua cara sensível com olhos iluminados analizando o mundo, com uma expressão de admiração profunda. O seu traje era simples: uma saia de pele de chita bronzeada, enfeitada com búzios, colar e pulseiras de cobre, gravada com símbolos de sabedorias secretas.

Esta foi a mulher que deu as tribos algumas das canções mais antigas e belas do planeta e que inventou inúmeros instrumentos, cada um destinado a levar o seu nome de uma forma ou de outra...Marimba, a Mãe da Música.




Mas uma maldição lhe tinha sido colocada pela Deusa noturna do Mal, a Mãe dos Demônios, que se aproximou dela para lhe tornar em uma das suas servas na terra das trevas. Contundo, a Marimba se recusou a fazê-lo. Ela manteve-se firme e se recusou a sucumbir às forças do mal, reconhecendo que era a sábia governante da primeira tribo governada não pela força, mas pela sabedoria e amor. Ela manteve-se firme em sua crença de que era suficientemente forte. Forte para resistir qualquer ataque, por ser abençoada com o poder da música, e então superar o mal..,

E assim, com o passar dos dias, Marimba guiou o seu povo a inventar instrumentos musicais a partir de armas dos inimigos e ferramentas cotidianas. Tambores eram feitos de morteiros vazios, arcos e harpas de arcos de caça, e marimbas de armadilhas de animais. Em vez de pegarem em armas, ao serem confrontados com a guerra, ela encorajava a se desfazerem das armas e dançar.

E então, enquanto o sol nascente lentamente enviava os seus primeiros raios para banhar as cabanas da comunidade, o povo da aldeia ficou espantado com os sons que fluiram da voz de Marimba, quando ela começou a cantar, pois nunca antes tinham ouvido tal som - um som do outro mundo jamais ouvido. Um som que flui pelo anoitecer silencioso como um rio de prata através das florestas escuras e penetra nas profundezas da alma.

"Leva a minha música nas asas da sua luz
Mantenha os meus refrões até os confins do mundo. "


Texto original de Credo Mutwa (Curandeiro tradicional e profeta Zulu)

Traducao e pesquisa: A. Kandimba

Thursday, 1 August 2013

Titina Sila´, uma Heroina Africana

Titina Sila´, uma Heroina Africana (1943 – 30 January 1973)





Aproveitando hoje, dia 31 de Julho, dia internacional da mulher africana, fundado no ano 1962, em Dar es salaam na Tanzania, pela OPM (Organizacao Pana-Africana de Mulheres), e por 14 paises  e 8 movimentos de libertacao colonial, para homenagear, exaltar e, ao mesmo tempo,  conscientizar as massas sobre a guerrilheira Titina Sillas, uma heroina africana da luta pela independencia da Guine Bissau, do continente Africano e de todos outros povos oprimidos, para que a luta dela, que posterioremente foi e segue sendo a luta de todos nós, jamais seja´ esquecida.

A. Kandimba




¨De seu nome verdadeiro Ernestina Silá,(Titina Silá) foi uma combatente e formadora de milícias, que embora morrendo jovem, conseguiu fazer a diferença e cativar todos aqueles que a conheceram. Teodora Inácia Gomes, militante do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), foi uma dessas pessoas. “Em 1963, estivemos juntas na Guiné-Conacri e na frente sul. Em Agosto desse ano fomos para a antiga União Soviética fazer um estágio político”, recorda a antiga combatente, ao jornal Expresso de Portugal.


Pouco tempo depois, Titina viu-se obrigada a regressar à pátria, onde deu formação à guerrilha, mas em 1964 já estava de volta à União Soviética para estudar socorrismo.”Era uma lutadora incansável, amável, simples, uma pessoa excepcional e uma grande patriota”, afirmou a deputada guineense, sublinhando o apreço que Amílcar Cabral tinha por ela.


Titina, morreu a 30 de Janeiro de 1973, quando se dirigia à Guiné-Conacri para assistir ao funeral de Amílcar Cabral, morto uma semana antes. Teodora recorda que Titina foi vítima de uma emboscada, levada a cabo por militares portugueses que a afogaram no rio Farim, no norte da Guiné-Bissau.


Tal como muitas outras combatentes do PAIGC, que deram a vida pela independência do país,  também Ernestina não viveu o suficiente para ver este sonho concretizado.  É a pensar nelas que se instituiu o feriado não oficial que se celebra cada ano.


Questionada sobre a importância das mulheres na luta pela independência, Teodora Gomes não deixou margens para dúvidas, ao garantir que todas tinham formação militar e que ela própria chefiou uma equipa de 95 jovens mulheres. “Também dava aulas a explicar as razões da nossa luta e porque combatíamos a exploração capitalista”, explicou ainda a deputada e recordou que ”foram muitas as mulheres que deram a vida pela independência da Guiné-Bissau.”http://expresso.sapo.pt/guine-bissau-presta-homenagem-a-titina-sila=f108649


 

¨No ano de 1973 o lider do p.a.i.g.c. Amilcar cabral é assassinado em guiné-conakri país vizinho, Titina silá perde desta forma o seu mentor e amigo, assim como os povos de guiné-bissau e cabo-verde que perdem o seu lider, o homem e irmao que lutou e morreu para que todos eles pudessem viver em liberdade, uma semana depois do trágico acontecimento no dia 30 janeiro ainda abalada com o sentimento de perda Titina parte chefiando um grupo pequeno de combatentes numa canôa com o propósito de assistir o funeral do irmão e companheiro de luta Amilcar cabral a guiné-conakri quando se viu presa numa emboscada montada pelas tropas portuguesas no rio farim no norte da guiné bissau e a seguir morta por afogamento pelos mesmos, a dôr indescritivel daquele povo com certeza mora na memória dos mais velhos ainda hoje, num unico mês guine-bissau experienciou a dôr de uma mãe que perde os filhos, duas figuras africanas exemplos de justiça e igualdade entre os seres humanos, pessoas simples e afáveis, titina dedicou os seus poucos anos de vida na luta por todos estes valores e principalmente pelos direitos dum povo decidir o seu próprio destino no pedaço de terra que deus lhe deu, com esperança de um dia ver seu povo libertar se das correntes da exploração do império português, muitos concordarão que a titina como lutadora incansável e com a famosa capacidade de organização e liderança que tantos elogios e admiração lhe valeram deve ter partido com sensação do dever nao cumprido ou pelo menos nao completo, mas o que ela nao sabia foi que os anos de luta nas matas da guiné e o sacrificio na gélida uniao sovietica em prol da formaçao dos jovens e do partido p.a.i.g.c. dariam frutos mais tarde, com a vitória dos combatentes guineenses e a expulsão dos portugueses mais tarde, Titina teve a sua quota bem paga numa vitória que apesar de ser de todos os intervenientes como ela numa guerra pelo que é correcto também foi a vitória prometida pelo Amilcar cabral ao seu povo.

Ao exemplo das grandes mulheres que a antecederam desde grécia antiga ao egipto Titina lutou e morreu pelo que acreditava e amava, onde quer que esteja ela reunido com o seu amigo, irmao e mentor Amilcar cabral ,é provável que estarão a travar outras guerras lado a lado pelo que é o mais correcto, porque uma lutadora será sempre uma lutadora.

Viva Titina silá





30 de Janeiro, dia da mulher Guinense

Thursday, 6 June 2013

Moreninho: Tão comum, tão cruel...

O racismo não é apenas o sentimento de ódio racial pelo outro ou outra. É uma cultura. Com certeza que foi algo cultivado para que nós todos, em geral, caiemos no buraco do sistema que o plantou.


Por exemplo...A senhora onde compro carne no espeto é maravilhosamente carinhosa e simpática comigo. E toda vez que digo obrigado, ela responde, educadamente "Obrigada voce, moreninho".

Sei que, pelo menos aqui no Brasil, a palavra moreno, morena, é uma forma de elogio. Não carrega o verdadeiro significado histórico da palavra. Fui dito que moreno por aqui seria um branco, ou branca, de cabelo preto. Típico de Portugueses, Italianos e Espanhóis, só para mencionar alguns.

Sendo assim, cada vez que ela me chama de moreninho ela automaticamente me faz lembrar que elogiar um negro é chamar-lhe de branco ou quase branco. Ou o desejo de um negro é tornar-se mais claro...branco mesmo.
Sei que a dona nunca pensou no assunto e que também nas escolas não nos ensinam essa arquitetura quase perfeita denominada de racismo.

O triste é que se lhe perguntar qual a razão em me chamar de moreninho, quando sou negro, ela provavelmente vai se espantar. Pensara', como muitos outros pensam, que muitos de nós do fenótipo africano racializamos tudo sem motivo.

Adoro a senhora mas a realidade e' que não sou e nem quero ser racializado. Nao quero ser elogiado nem de moreninho e nem de neguinho.

Texto & foto: A. Kandimba

Correcao Gramatical:
Nabbonz Wende

Tuesday, 28 May 2013

O Mvet

O Mvet é tanto um instrumento musical como também uma história épica. Uma espécie de literatura cuja narrativa expõe fatos históricos e ações heróicas de personagens excepcionais. O instrumento está relacionado as etnias Fang/Beti, subgrupos de povos Bantus, que hoje habituam os países Africanos do Congo (Brazzaville), Gabão, Guiné Equatorial, a ilha de São Tomé e príncipe e Camarões.






Afirma-se ter sido criado durante o êxodo do povo Fang/Fãn, e é construído com materiais da floresta tropical Central Africana, feito de bambu, e acompanhado por várias cabaças identificadas como masculinas e fêmeninas, que ressoam quando as cordas são ligeiramente tocadas.
A história oral do Mvet é caracterizada por uma fase denominada de EKANG.
A face Ekang inclue temas spirituais e mitológicos, tais como Nzana Nga Zogo, que engloba todos os aspectos da cultura fang como a filosofia, a poesia, o conhecimento científico do mundo, histórias que honram os líderes das aldeias, histórias de heroísmo, e de inspiração as comunidades.


A lenda da criação
Segundo a lenda da sua criação, Oyono Ada Ngone foi um sábio, um fang notável, músico e guerreiro que viveu durante a longa migração do século XV conhecida como “OBANE”. Ao tentar escapar de uma batalha, uma guerra em que o seu povo foi derrotado, o mestre Oyono entrou em coma durante uma semana e foi socorrido, quase sem vida, pelos guerreiros fugitivos.


Durante o seu estado de coma, Zambe, um espírito superior, dialogou com Oyono que, em espírito, foi regalado um instrumento musical. Este instrumento serveria para despertar, restaurar a esperança, recapturar a coragem e autoestima do seu povo, através da música e histórias fabulosas do passado.


O mestre Oyono Ada Ngone construiu um instrumento musical a partir de um ramo da palmeira ráfia, tendo dado início aos contos e histórias épicas sobre um grupo de guerreiros a quem deu o nome de pessoas Engoñ / Engong, significando o povo de Ferro, invencíveis como o ferro, transformando-os em um povo guerreiro, temido por todos outros povos aos seus redores.


” Mvet” do verbo “a vet” = Elevar, superiorizar.















Referências:

Grégoire Biyogo, L'encyclopédie du Mvett
Tsira Ndong Ndoutoume, ed., Le Mvett, L'homme, la mort et l'immortalité, Harmattan, 1993
Pierre Alexandre, Introduction to a Fang Oral Art Genre: Gabon and Cameroon mvet, School of Oriental and African Studies, 1974.Aton Belinga (Camaroes); Imagens e contribuicoes.


"Em relacao a imagem da evolucao do Mvet. No começo do século XX, era comum encontrar o Mvet de uma única cabaça. De acordo com o pequisador Camarones, Aton Belinga, Fontes de Assoumou Ndoutoume são mas ele viajou intensivamente pelo Gabão e Guiné-Equatorial, tendo conhecido e entrevistado mestres e tocadores do Mvet, e reuniu uma série de informações publicadas no seu livro, Le Mvett épopée fang (Ndoutoume 1983 [1970])."
Outros textos relacionados a pesquisa:






Agogo, a mae e a criancahttp://kandimbafilms.blogspot.com/2012/11/a-mae-e-crianca.html

Monday, 6 May 2013

Conguitos


Ja’ se vao 9 anos desde que trabalhei como seguranca do shopping Colombo. Centro Comercial Colombo em Benfica, Lisboa. Foi a primeira e unica vez que trabalhei em Portugal.

Como parte da seguranca, sempre usavamos codigos para certos eventos e identificacao de objectos. Usava-se muito a palavra CONGUITOS, quando as criancas acessavam o centro. Eu pessoalmente nunca fiz uso da palavra, pela simples razao de ter sido xingado de conguito no passado.


Mas Benfica e’ uma area com um grande numero de Africanos, especialmente vindos de Cabo Verde, Angola, Guine Bissau, etc...Nao demorou muito para realizar que a expressao era apenas usada para identificar as criancas que em Portugal chamamos de criancas de cor, ou seja, de descendencia africana.

Tentei varias vezes erradicar esse tipo de comportamento. Comportamento esse que considero de nivel muito baixo. Mas os “colegas”, como sempre, achavam que era apenas uma simples piada.

Quando era crianca, o boneco da embalagem carregava uma flecha, argola nas orelhas e, se nao me esqueco, um pedaco de osso no nariz.

Vejo que hoje em dia o caracter sofreu varias modificacoes. Em vez de o retirarem do mercado, inventaram um conguito branco com aqueles labios exageradamente grossos.

Enfim, a luta anti-racista em Portugal ainda continua fortemente primitiva.

A. Kandimba





Tuesday, 26 February 2013

¡Kalunga Eh! Los Congos de Villa Mella. Património Intangível da Humanidade” (Republica Dominicana)

Fonte: Misosoafrica blog



Este facto histórico e antropológico revalorizante sobressai claramente na leitura de “¡Kalunga Eh! Los Congos de Villa Mella”, última obra do investigador dominicano Carlos Hernandez Soto. Este livro acaba de ser publicada em Santo Domingo pela Editorial Gráfica.

Compilação de textos estendendo-se sobre 142 páginas, redigidos depois da proclamação pela UNESCO, da Confraria dos Congos de Villa Mella “ Obra Maior do Património Oral e Imaterial da Humanidade “ , esta colectânea é , visivelmente, a continuação de trabalhos anteriores que desembocaram na publicação, anos atrás, de “ Morir en Villa Mella : ritos funerários afro dominicanos “.
Nesta análise de antropologia escatológica, o autor que dirige actualmente o Museu do Homem Dominicano, realça o papel essencial desta estrutura associativa tradicional nas cerimónias funerárias em Villa Mella, região adjacente a capital da parte oriental da antiga Española.
E, Kalunga é a sua principal peça musical e coreográfica assim que o seu grito identificador.
O estudo desta pratica ritual, sobrevivência genericamente kongo, mas na realidade bantu, que integrou , numa dinâmica inevitavelmente sincrética, diversos elementos da religião católica e crenças ioruba e ewe-fon, é feito em seis capítulos.
Hernandez Soto aborde ai, entre outros aspectos, a natureza social e a função espiritual deste reagrupamento fraternal assim que os contornos da sua expressão musical ( cantos e suportes orfanológicos ) e o registro da sua coreografia.
E, num processo comparativo, pouco sistematizado nas Américas e nas Caraíbas, o autor, que é também Professor na Universidade Autónoma de Santo Domingo, atesta a existência do mesmo tipo de confrarias no território gémeo de Haiti e em Cuba, assim que no continente, no Brasil, Panamá e nos Estados Unidos de América, mais precisamente em Nova Orleans.
UNIVERSO ESCATOLOGICO
Como provas linguísticas e antropológicas, nomeadamente congo-angola, o Director do MHD apresenta, oportunamente, no fim da sua obra, um recapitulativo de termos em uso nesta estrutura de solidariedade social.
Reencontra-se, no conjunto das diversas manifestações organizadas, neste quadro, as celebrações de maní, prováveis reminiscências das cerimónias relativas à entronização dos Mani Kongo.
E, a animação de todos os ritos da Confraria é apoiada por, principalmente, instrumentos chamados, genericamente também, congos, congas ou palos. O congo é o tambor maior e o conguito designa o batuque menor.
Quanto aos membros da associação, que devem imperativamente ser músicos ou dançarinos, são naturalmente designados congueros.
Uma das canções rituais (toques), introdutórias, é chamada bembé yagua, provavelmente uma sobrevivência do kikongo bembo nengwa (canção para embalar). E, durante a cerimonia do kumba (separação), entoa-se, entre outros lamentos, o pembé chamaliné (partida pacifica).
Os outros cantos retomados, verdadeiros requiems aeternam, são o bembo koko (reconforto solidário), mamá yungué ou ñungué (berceuse), oh yacabelo (ternura), oh kikondé, (lamento), yacuacila (desamparo), ensilla mi caballo (impotência perante a morte), gayumba eh (salvação) , alé bambó (coragem), ya lo ve (coragem) antonio bangala (fim) e lambé lo deo (comida celeste).


E esta notável continuidade linguística e antropológica, que militou afim que a exigente UNESCO pudesse declarar o conjunto das práticas rituais kongo que se perpetuaram, num sincretismo vivificador, no leste da histórica Española, riqueza cultural universal.
E, o “munsi kalunga“ dominicano considera, a justo titulo, que esta declaração deste organismo da ONU deve, na realidade, alargada a todas as Américas e Caraíbas negras, com, entres outras componentes, a Sociedade Congo, na ilha das Gonaives, no vizinho Haiti; o Congo Reales em Trinidad, em Cuba ; o famoso e indestrutível Congo Square, a qual acrescentou-se, hoje, o nome do celebre jazzman Louis Armstrong ; as representações teatrais congos na sintomática localidade de Cuango, em Panamá e as inevitáveis congadas de Atibaia, no Brasil.
Uma das principais contribuições científicas do antropólogo de Santo Domingo é de ter efectivamente posto em relevo a predominância tomada no universo escatológica bantu, depois da terrível e traumatizante travessia do oceano, pelas crenças hidrogonicas. Com efeito, o ntoto ( terra firme ) e o nzulu ( céu ) , Reino de Deus, elementos fundamentais das culturas de origem, reencontraram-se no alem -Atlântico, relegados no segundo plano, a favor do insondável kalunga ( mar ).
Os africanos encadeados nas insalubres porões dos navios negreiros, ressentiram na seu corpo e na sua alma, a força e a imensidade di nlangu ya mungwa ( agua salgada ).
Com este livrinho de Carlos Hernandez Soto, a Rota do Escravo foi, na verdade, a Viagem sobre o kalunga e a transferência, numa dinâmica verdadeiramente psicoanaleptica, dos seus tenazes mistérios.

 fotos: 
http://www.flickr.com/photos/elmaremoto/119181596/

Thursday, 14 February 2013

Não sou uma mulher?: Sojourner Truth


O famoso discurso, "Aint’ I a woman?", da abolicionista Afro-Americana Sojourner Truth, à Convenção de Mulheres em Akron, Ohio, no ano de 1851.


Não sou uma mulher?

Sojourner Truth

Bem, crianças, onde existe muita confusão deve haver alguma coisa fora de controle. Eu acho que entre os negros do Sul e as mulheres do Norte, todos falando em direitos, em breve o homem branco estará encrencado.
Mas sobre o que todos aqui estão falando?
O homem lá adiante diz que as mulheres precisam ser ajudadas a entrar nas carruagens e a sair do buraco e a ter por toda parte os melhores lugares.
Ninguém nunca me ajudou a entrar em carruagens, a sair da lama nem me deu qualquer lugar melhor! E não sou uma mulher? Olhem para mim? Olhem para o meu braço! Eu lavrei a terra, plantei e juntei tudo no celeiro e nenhum homem poderia me liderar!
E não sou uma mulher? Eu poderia trabalhar e comer tanto quanto um homem--quando eu conseguia--e suportar o chicote tão bem quanto! E não sou uma mulher?
Dei à luz treze crianças e vi a maior parte delas vendidas para a escravidão e quando chorei com a tristeza de mãe só Jesus me ouviu! E não sou uma mulher?
Então eles falam desta coisa na cabeça; o que é isto que eles chamam? (Inteligência, alguns chamam de sussurros). É assim, querido. O que é que fizeram dos direitos das mulheres ou dos negros?
Se em minha taça não couber uma medida e na sua couber um quarto não seria mesquinho você não me deixar ter minha meia medida toda?
Então aquele pequeno homem de preto lá diz que as mulheres não podem ter tantos direitos quanto os homens porque Cristo não era mulher! De onde vem seu Cristo? De onde vem seu Cristo? De Deus e uma mulher! O Homem não tem nada a fazer com Ele.
Se a primeira mulher que Deus fez era forte o suficiente para virar o mundo de ponta cabeça sozinha, estas mulheres juntas devem ser capazes de novamente virá-lo de cabeça para cima ! E agora elas estão querendo fazer isso e é melhor os homens as deixarem fazer.
Obrigado por me ouvirem e agora a velha Sojourner não tem mais nada a dizer.


Fonte: http://www.pco.org.br/biblioteca/socialista/ver_texto.php?txt=152

Monday, 21 January 2013

Africano Bambaataa

Origens do nome do artista Afrika Bambaataa, o DJ estado-unidense e líder da Zulu Nation, reconhecido como fundador oficial do Hip Hop.



Na foto, Inkosi (Chefe) Bambata ou Bambatha kaMancinza (ca. 1860-1906?). 

Também conhecido como Mbata Bhambatha, era um chefe Zulu da clã AmaZondi na Colônia de Natal, Africa do Sul e filho de Mancinza.

Chefe Bambatha foi o lider da rebelião armada em 1906 conhecida como  "A rebeliao Bambatha".

A Revolta Bambatha foi uma revolta Zulu contra o domínio britânico e Impostos.

Inkosi Bambatha e' considerado um herói nacional de pós-apartheid da África do Sul e creditado como uma inspiração da resistência nativa do Sul Africano. Tb e' honorariamente reconhecido como um precursor do movimento anti-apartheid.

Bhambatha (do verbo ukubhambatha), que significa carinho de uma mãe para seu bebê. (Natalia.org.za)


A. Kandimba







Afrika Bambaataa-Planet Rock Kraftwerk Original Video


http://www.youtube.com/watch?v=9h6pcqC6wrI


Monday, 14 January 2013

Os Nganguela os primeiros bantu de Angola

"A tartaruga não morde a pata do leopardo"
(dito Nganguela, a propósito da necessidade de respeito para com o chefe)







A ginecocracia representa uma realeza matriarcal ou governo exercido por mulheres, em que o trono ou o poder deve teoricamente pertencer apenas às mulheres e ser transmitido por filiação de mulher para mulher.
Segundo certos autores evolucionistas, este tipo de governo caracterizou uma etapa da evolução política de todas as sociedades. Contudo, se tal facto pode ser praticamente exíguo (ou até mesmo desconhecido) nas sociedades europeias e asiáticas, em África, antes da influência islâmica e católica, ocorreu com frequência, dado que, segundo Cheik Anta Diop, a família africana era toda ela matriarcal com descendência uterina e a mulher, na vida doméstica, era considerada emancipada. Tal como é o facto de África ter atingindo a idade do ferro sem passar pela do bronze – o que não aconteceu nem na Europa nem na Ásia –, a ginecrocracia marcou, também, a singularidade africana, já que o regime patriarcal das sociedades europeias foi sempre caracterizado pela sujeição feminina à superioridade do varão. Na literatura oral dos Nganguela, destaca-se o nome da rainha Danda Candundo e a existência de uma organização social ginecocrática.


O grupo etnolinguístico Nganguela é o mais heterogéneo de Angola e alguns etnólogos, de acordo com José Redinha, chegam mesmo a admitir que estes sejam os “bantu” mais antigos de Angola. Divididos em dois hemisférios, devido à penetração dos Lunda-Cokwe, os Nganguela chegaram a ser tributários dos Lwena, estes, antigos Lunda-Cokwe que adoptaram a língua dos Nganguela. Hoje os Lwena são um sub-grupo dos Nganguela (quase 100 mil) que se distinguiu pela forma como funde o ferro, pelos seus trabalhos em cerâmica negra e polida e ainda pela forte personalidade da sua rainha – Nhakatolo Chissengo –, que, após a independência de Angola, ainda era viva.
Culturalmente são mais chegados às tradições dos povos da bacia do rio Zambeze. Embora oriundos das antigas populações de caçadores, dedicam-se principalmente á agricultura na sua área oriental. Na sua parte ocidental, por influência dos criadores de bois do sudoeste, dedicam-se muito à pecuária. Das suas actividades económicas constam, para além da agricultura e da criação do gado, também a pesca lacustre e a apicultura. Do ponto de vista social predominam nos Nganguela os ritos de passagem masculinos, nas artes praticam alguma escultura e também manufacturam uma curiosa série de máscaras. Os que se encontram dispersos pelas intermináveis planícies orientais, nunca tiveram relações intensas com os portugueses e foram durante muito tempo perseguidos pelos Ovimbundu, Lunda-Cokwe e Ambó.
Uma parte da população Nganguela que, em 1960, correspondia a 328 mil habitantes, situa-se nas províncias do Moxico e Kuando-Kubango na fronteira leste de Angola. A outra parte encontra-se no centro do país, nas províncias de Malange, Bié e Huíla. Segundo Vatomene Kukanda, quanto às variantes linguísticas, este grupo apresenta as seguintes: o lwena, o luvale, o lucaze, o mbunda, o ambwela, o ambwela-mambumba, o kangala, o yahuma, o luyo, o nkoya e o kamashi, na província do Moxico. O lucaze, o mbunda, o nganguela, o ambwela, o kamashi, o ndungo, o nyengo, o nyemba e o aviko, na província do Kuando-Kubango. O lwimbe, o nganguela, o ambwela, o engonjeiro, o ngonielo e o mande, na província do Bié. O lwimbe, na província de Malange. O nganguela e o nyemba, na província da Huíla.
Filipe Zau | - 02 de Fevereiro, 2010, Jornal de Angola Foto: Inicio do seculo passado do livro de Wilfrid D. Hambly.

Wednesday, 9 January 2013

Roubado acervo cultural do Reino do Tchingualula

Roubado acervo cultural da comunidade do Reino do Tchingualula
07-01-2013 | Fonte: RNA




O acervo cultural da comunidade ou Ombala do Reino do Tchingualula, na província do Huambo, foi roubado – reportou a RNA.

Entre as peças roubadas, constam os crânios dos distintos soberanos do secular Reino de Tchingualula que representam valores, força, poder, autoridade e soberania.

Neste momento a Ombala Tchingualula não possui nenhuma referência dos seus antepassados, situação que preocupa as autoridades tradicionais da localidade.

O Soba Grande da referida Ombala, Sabino Sacuvale, afirmou que os Acocotos sempre existiram para a preservação de hábitos e costumes da cultura angolana.

“Na Ombala foram tirados 13 Acocotos a noite, partiram a porta e retiram os Acocoto, isto causou prejuízo na Ombala e todas as Ombalas a ouvirem este problema também estão preocupados, estes Biholo são de a muito tempo”, disse.

Já O responsável do departamento do património da direcção provincial da cultura, João Afonso, explicou o significado dos Acocotos e o que representam para a cultura Ovimbundo.

“Acocoto são crânios dos soberanos tradicionais, porque o Acocoto é um local sagrado é local naquele tempo de pedir bons ventos para a fertilidade, bons ventos para o cultivo, para boa governação, para a saúde das crianças e o bem-estar das comunidades daqueles que dirigem”, disse.

João Afonso disse ainda que caso não se encontre os autores desta acção, as autoridades tradicionais devem fazer um ritual, para que os mesmos devolvam os Acocotos à Ombala. Foto: Wildscenics Tb ler:

Saturday, 5 January 2013

CD: Chants D'Angola, 1994


MARIO RUI SILVA ''CHANTS D'ANGOLA... POUR DEMAIN'' (ANGOLA,1994) @ [192k]




“Chants d’Angola pour demain” (1994), a obra paradigmática da sua carreira, inaugura a época dos discos compactos, seguindo depois a edição de “Luanda 50/60 Angola” (1997), “Cantos de Massemba”, “Luanda 1920/ 1930” (1999) e “Luanda 1940, Angola” (2001). Mário Rui Silva dedicou dez anos de investigação musical que culminou com a gravação do CD “Chants d’Angola pour demain”, obra de capital importância para compreensão de parte substancial da obra de Liceu Vieira Dias e do histórico conjunto Ngola Ritmos.
 


Neste CD estão alinhadas as canções: Madya Kandimba (anónima), Henda-ya-Xala (anónima, uma das primeiras canções interpretadas pelo Ngola Ritmos), Mana Fatita (anónima), Xinguilamentu (Liceu Vieira Dias) Ngakwambele kya (anónima), Phalami (Liceu Vieira Dias e José Maria), Kangrima (Liceu Vieira Dias), Tchon Bon (Liceu Vieira Dias), Enu mu ilumba (anónima), Mbiri-mbiri (Liceu Vieira Dias), Nzagi (Fontinhas), Totoritwé (anónima), Dya Ngó we (anónima), Kunguenu (anónima) e Kopé (anónima). “Chants d'Angola pour demain” contou com a participação de Mário Furtado (bateria e percussão), Francisco Santos (percussão), Carlos de Sá (baixo), Fred Goguet (baixo, na canção Nzagi), Amélia Mingas e Milita (coros), Didier Valette (flauta e saxofone tenor), Michel Pellegrino (saxofone alto, tenor e clarinete), Patrick Raffault (acordeão) e Yann Fisher (piano e sintetizadores).

Julgamos ser possível conhecer a personalidade artística e musical de Mário Rui Silva pela audição integral da sua obra, que o transformou num porta-voz da memória musical da região de Luanda, circunscrita à obra do "Ngola Ritmos".
Fonte:
http://afrocubanlatinjazz4.blogspot.nl/2012/01/mario-rui-silva-d-pour-demain.html
Postado por A. Kandimba