Em
Angola, haviam dias turbulentos durante os tempos de chuva e trovoadas,
em que nós, os kandenges (crianças), nos encolhíamos dos mais
próximos. Eu, como kasula, corria para os braços da irmã mais velha ou a
dona da casa, a minha mãe.
Entre
os grandes estrondos, lembro-me que éramos advertidos que, os
antepassados estariam descontentes com algo ocorrido e, que a chamada
teria que ser recompensada com oferendas.
Mas aonde estariam esses antepassados, pensava eu! E o que poderia fazer para apaziguar-los?
Na
sinceridade, não estávamos na posição de fazermos algo, pelo simples
fato que já morávamos em Luanda e os nossos antepassados, ou seja os
seus Akolokolo estão há centenas de anos nas grutas sagradas dos
Ovimbundu, no Planalto de Benguela.
Ao contrário do raciocínio de muitos, entre os séculos 16 ao 19, os Bantos (Congo/Angola) foram o grupo Africano de
maior densidade populacional no Brasil e se distribuíram por várias
regiões. E os africanos Yorubás (Nigéria, Benin,Togo & Ghana) foram
levados para lá 200 anos depois.(1)
O
povo Ovimbundu com as suas crenças, rituais e tradições, caiu vitima da
escravidão através do porto de Benguela. Pelo menos 500,000 foram
levados para Rio de Janeiro e Baía.
Nas
grutas sagrados do Bailundo, descansam restos de diversas gerações de
antepassados. Mas não são apenas restos de avós falecidos. são os
Olossoma (reis & rainhas) da nação.
De
acordo com a nossa tradição e entre muitos outros povos Bantos, os reis
e rainhas são sagrados, “quase” elevados a imagem e poder do todo
poderoso Suku ou Nzambi (Deus).
Os restos que me foram relembrados durante a minha infância, seriam os Akolokolo, crânios.(2)
O
Ekolokolo (cabeça, crânio), e’ a unica parte dos restos dos ancestrais
guardada pelos representantes dos Olossoma. Acredita-se que o Ekolokolo,
visto como a parte superior do corpo, e’ um espírito em si, a
comunicação e ligação ancestral continua entre o soberano, rei/rainha, e o
seu povo. Como um guia para o resto das suas vidas.
Foto: Grutas sagradas/Pedras Kandumbo
Ate’
hoje, mesmo depois de tantas tentativas coloniais de erradica-las,
pode-se visitar as grutas sagradas, desde que o visitante se mostre
disposto a respeitar os rituais e mandamentos de entrada e saída, como
por exemplo:
No interior da gruta, existem espaços predestinados ás mulheres de uma certa idade e, a esfregação do óleo de palma nos pulsos e
os tornozelos, também conhecido como azeite de dendê. Palavra essa que
apesar de ser invocada inumeravelmente por adeptos e sacerdotes dos
Candombles Ketu/nago, e’ pura e simplesmente Banto. Em Umbundu, Ondende, algo que purifica as nossas manchas morais e os nossos corações.
Seguindo
a noção histórica, os povos Afro brasileiros ja’ teriam, sem margens
para dúvida, o conhecimento nítido e inconfundível do conceito que tanto se
identifica hoje de Ori e do fruto do dendezeiro, respectivamente,
200 anos antes da chegado dos povos Yoruba, os donos da palavra Ori.
(A. Kandimba)
Ritual de entrada
1.Yeda Pessoa
2. Ekolokolo (singular), Akolokolo (Plural) Antonieta Kulanda
Pintura: Carybe'
FotoS: Grutas sagradas/Pedras Kandumbo (Ermelinda Buta)
Sobre Ori: http://pt.wikipedia.org/wiki/Ori_%28yoruba%29
Saturday, 21 July 2012
Thursday, 19 July 2012
Tata Maduba (O pai protetor do mundo)
E'
uma honra homenagear o mais velho Nelson Mandela, Tata
Maduba (O pai protetor do mundo),
como e' conhecido entre o povo Xhosa do ramo Bantu e, por milhares de
outros cidadãos
Sul Africanos.
Mas
claro, nem todos tem o mesmo sentimento.
O governo de Cabo Verde, um país Africano constituído por dez ilhas localizadas ao largo da costa da África Ocidental, recentemente atribuiu o nome "Nelson Mandela" ao Aeroporto internacional da ilha da Praia.
"Homem Maiúsculo' porque dedicou toda a vida à luta pela liberdade, democracia e direitos humanos, porque foi mártir e vencedor na luta contra o 'apartheid' [sistema de segregação racial que vigorou na África do Sul] e outras formas de discriminação", disse o Primeiro-ministro de Cabo Verde, José Maria Neves.
O Tata, com quase 70 anos de serviço a humanidade, advogado, ex-líder rebelde e ex-presidente da África do Sul, honorário do Dia Internacional Nelson Mandela, como forma de se valorizar em todo o mundo a luta pela liberdade, pela justiça e pela democracia, e' sem marges para dúvidas, uma lenda viva da nossa história como seres humanos.
O governo de Cabo Verde, um país Africano constituído por dez ilhas localizadas ao largo da costa da África Ocidental, recentemente atribuiu o nome "Nelson Mandela" ao Aeroporto internacional da ilha da Praia.
"Homem Maiúsculo' porque dedicou toda a vida à luta pela liberdade, democracia e direitos humanos, porque foi mártir e vencedor na luta contra o 'apartheid' [sistema de segregação racial que vigorou na África do Sul] e outras formas de discriminação", disse o Primeiro-ministro de Cabo Verde, José Maria Neves.
O Tata, com quase 70 anos de serviço a humanidade, advogado, ex-líder rebelde e ex-presidente da África do Sul, honorário do Dia Internacional Nelson Mandela, como forma de se valorizar em todo o mundo a luta pela liberdade, pela justiça e pela democracia, e' sem marges para dúvidas, uma lenda viva da nossa história como seres humanos.
Mas envergonhosamente, a
homenagem tem sido alvo de protestos e ataques vindos de uma boa
quantidade de caboverdeanos, mas não da maioria, em que simplesmente se
referem ao ícono como “ um estrangeiro”, afirmando que “se
fosse uma rua, mas um aeroporto?”
Quando
o Nelson Mandela e' reverenciado, não se trata apenas de um mero agradecimento ao indivíduo.
Essa mesma homenagem se estende a mãe África, berço do ser humano, a luta de um povo e a sua dignidade, fora e dentro do continente, os seus líderes assassinados, como o Amilcar Cabral, o pai da luta contra o colonialismo português em Cabo Verde e Guine Bissau. Relembra as injustiças sofridas, como o massacre de sharpville, em 1960, de homens, mulheres e crianças desarmadas, entre muitos outros acontecimentos.
Nao consigo manter o meu
desapontamento perante a embecilidade de tal protesto, manifestação essa imoral e sem escrúpulos.
O Nelson Mandela e o Amilcar Cabral, nunca seram estrangeiros no continente Africano!
O Nelson Mandela e o Amilcar Cabral, nunca seram estrangeiros no continente Africano!
Estrangeiros, realmente, são aqueles que estranham
as sociedades e povos que orgulhosamente os têm honrando.
94 anos de idade...Parabéns Nelson Mandela!
Fotos: 1. Nelson Mandela, 2. O massacre de sharpeville (Africa do Sul).
Tuesday, 17 July 2012
O velado
Racismo velado, o que vc pretende vestir hoje?
O verde, confiscado das nossas terras?
O vermelho, espremido da nossa dor?
O amarelo, roubado das nossas riquezas?
Ou o preto, emblema da nossa cor?
Cutuquei o teu armário
Encontrei o teu diário
Te digo que, os teus dias estão contados pelo contrário.
Por mais que rezes pra' Santa Maria,
pro' Santo Antônio ou o terço Rosário.
(A. Kandimba)
Foto: Crianças Afro-Ecuadorianas, Esmeraldas, Ecuador. Vicki Brown
Monday, 16 July 2012
A caste maldita e a redenção de Cam
Quando alguem me xinga de racista, principalmente um branco, apesar de ser um insulto para com a minha pessoa, nao me incomoda tanto assim. Conheco a mentalidade por experiencia desde os meus 9 anos de idade em Lisboa. Era so' nao aceitar ser racialmente ou culturalmente humiliado e me xingavam a torta e a direita com a palavra.
Descrevendo, o tipo que te chama de macaco, escarumba, fazia comentarios como:
-E' preto e estupido!...Ou cantarolava "preto da Guine' lava a cara com chule'!
...Tudo, bem me parecia, por mero prazer. E depois de receber um murro no meio da boca, ou uma boa cabecada no queixo, optava por me xingar de racista.
Nem me dava a chance de lhe xingar de branco filho de umas e outras! Se ao menos, ne'? Mas nem isso!
O caso dessa vez e' sobre um tipo chamado de To' Faria, la' no grupo Pioneiros de CaboVerde. A besta sera' chamada de To' Mane' aqui na minha pagina e para tbm terem uma pista sobre as suas verdadeiras origens.
O To' Mane', que nao cansa de me xingar de racista, acho ate' que virou esporte para a besta, tem o vicio de elogiar a miscigenagem, com provas fuleiras de DNA e afirmacoes que pretos sao apenas 30% da populacao Cabo verdeana...Ele adora elogiar paises latinos e o Brasil como puros exemplos de uma sociedade sem racismo, a democracia racial, e que todos tem antepassados Europeus e Africanos.
Por alguma razao esquece o exterminio dos Indios.
O mesmo, adora dizer que pretos em geral devem esquecer o passado, a sua Historia.
Acho que ate’ anda meio desesperado e postou o discurso do Reverendo Martin Luther King, “Eu tenho um sonho". Rssss...Coitado do nosso rei na boca de uns e outros...Lacaios!
Quem nao sabe sobre a Historia de cabo verde deve pesquisar um pouco e ficara' xocado com os horrores impostos aos africanos e os seus descendentes, ficara' xocado com a lixeira humana enviada pelos Europeus, criminosos, estrupadores, pedofilios, para povoar as Ilhas, as centenas de mulheres africanas principalmente do Sudao que foram assassinadas e os seus filhos “mulatos” deixados por la’ tbm para povoar as ilhas...como aconteceu em Nova Zelandia, Australia e no Brasil.
O To’ Mane’, faz parte de um grupo de pessoas que chamo de “casta maldita”.
Um grupinho embebedado pelas ideologias racistas e selvagens lusitanas e latinas de seculos passados, espalhados pelos paises africanos de lingua oficial portuguesa, Angola, Mocambique, Guine B., Sao Tome’ e principe, pelo Brasil, e claro, Cabo Verde.
Essa casta e’ um perigo infernal, pelo fato de que geralmente se encontram em posicoes economias e sociais bem superiores aos outros e muitos escrevem os livros historicos.
Essa mesma casta que no passado convidou o Gilberto Freyre para Angola e Cabo Verde, para se aprender e se aplicar as mesmas taticas do embranquiamento e mito da democracia racial, como aconteceu no Brasil.
O fato de ser raro ver um preto latino no governo ou mesmo na televisao nao lhes incomoda.
Eles, a casta maldita, que orgulhosamente afirma que os negros devem esquecer o passado, algo que nem se aconselha a um bicho, nunca se lembram de dizer a um judeo para esquecer o Holocausto. Algo Imoral.
O problema aqui e’ o seguinte. Quem e’ preto ou sei la’, e tem pai branco ou avos, claro que deve ter o seu orgulho, mas nao me venha com conversas fuleiras como por exemplo, o sangue branco nas veias dos pretos deve ser celebrado porque somos todos Europeus e Africanos, como se as mulheres africanas tivessem consentido, abrindo as pernas delas por gosto, quando os africanos e seus descendentes foram “propriedade” dos Europeus por quase 400 anos.
A questao nao e' sobre sangue puro. Ora, nao existe tal coisa! E mesmo que os tais colonialistas lusitanos foram subjugados durante 700 anos por povos de cor.
Porque nao fazem esses testes por la'? Portuga, Espanha, Italia e companhia? Porque nao e' necessidade deles! E espalhar tal informacao pela Africa afora tbm nao lhes convem!
E eu vivo no norte da Europa, eles nao sao considerados brancos por aqui. Como e' que um povo que nem e' considerado branco em sua casa quer definir quem e' ou quem nao e' preto ou mestico?
A questao e' fenotipica! O racismo, no verdadeiro sentido da palavra, e o racista, nao estao interessados em saber quanto sangue branco a Mayra Andrade ou a Sara Tavares tem nas veias. Elas fenotipicamente seram xingadas de macacas!
To’ Faria, vai para o inferno e enfia a tua cabeca e os teus testes de DNA la’ naquele lugarzinho, ta’?
Pintura: Redenção de Cam (Modesto Brocos) 1895 Rio de Janeiro.
Na pintura, há uma negra com as mãos para o céu, agradecendo o fato de seu neto ter nascido branco, visto ser fruto da relação de um homem branco com uma mulher mestiça.
O artista soube captar perfeitamente o desejo elitista de embranquecimento da população.
Saturday, 14 July 2012
Cabaça e gravidez
Se por acaso,
um dias desses,
cruzar caminhos
com uma mulher da civilizacão Bantu,
ela, cheia de adornos,
enfeites feitos do fruto do cabaceiro,
e de um colar de missangas
denominado de Jinga, cordão umbilical,
objeto esse de conotaçao ancestral,
herança da sua mãe,
transversalmente do espírito da sua avó,
não se surpreenda,
e como alternativa,
tente depreender.
São os sinos da fertilidade tocando,
em harmonia com as doutrinas,
melodiando lendas e costumes,
sinfonizando laços e traços
do passado com o presente.
A cabaça é como um útero,
e, logo, se relaciona com a gravidez.
Eis a tradição!
Linhagem, ascendência, genealogia,
simbolismo de uma nova geração.
Viva a vida futura!
(Autoria: A. Kandimba)
Foto: Miss Zambia 2010, Alice Musukwa (Reuters)
Fonte histórica: Cestos de adivinhação
Símbolos do Chokwe (Angola, Congo & Zambia)
Manuel Jordan
Wednesday, 11 July 2012
Quando a gramática degrade
Gramática
s.f. Conjunto de princípios que regem o
funcionamento de uma língua. A gramática orienta como as palavras podem
ser combinadas ou modificadas para que as pessoas possam comunicar-se
com facilidade e precisão. Não é preciso que uma língua possua escrita
para ser dotada de gramática. As línguas indígenas, por exemplo, embora
sejam apenas faladas, têm seus próprios princípios de funcionamento.
dicio.com.br
dicio.com.br
Interessante...A expressão "Kilombo" na sociedade Argentina, tal e qual como a palavra sanzala em Angola e outros paises de língua oficial portuguesa, e' vulgarmente usada de uma forma pejorativo. Bem racista ate' diria!
Por la', do mesmo modo que em Uruguay, a expressão implica bagunça, algazarra, confusão, desordem, sujeira.
¡Qué kilombo! (Que desordem!)
Se va a armar kilombo! ( Havera' disturbios!)
Para os Venezuelanos, uma localização remota e de difícil acesso, enquanto que entre os Bolivianos, Chilenos, Paraguaianos e claro, os citados Argentinos, a palavra se relaciona com prostíbulos, lugares de prostituição.
Sabe-se que nos idiomas Bantu (Kongo/Angola), origem da palavra Kilombo, significa um certo tipo de comunidade. E no Brasil, com um pouco de ajuda do dicio.com.br, teriam sido Aldeias em que se concentravam os escravos que fugiam das fazendas, minas e casas de família, onde eram explorados e sofriam maus tratos. Os escravos, para não serem encontrados, escondiam-se nas matas, nos lugares mais inacessíveis, como o alto das montanhas e grutas. Aí se reuniam e levavam vida livre.
As pequenas aldeias eram também chamadas mocambos. Os maiores quilombos eram formados por vários mocambos. Seus habitantes eram chamados quilombolas. Enquanto durou a escravidão no Brasil, desde a colonização até o final do Império, existiram os quilombos.
Creio que todos nós devemos ter a obrigação moral e ética de infrentar a situação, excluir esse pensamento e expressões gramaticais degradantes das nossas sociedades.
(A. Kandimba)
*Foto do blog Torre da história ibérica: Um eumbo (kilombo), ou aldeia Kwanyhama. Os Cuanhamas pertencem ao grupo étnico dos Ambós, e ocupam a parte central do Sul de Angola, fronteira à Namíbia.
Fontes: http://buscon.rae.es/drae/?type=3&val=Kilombo&val_aux=&origen=REDRAE
Meu nome, minha identidade
Durante o tempo colonial em Angola, o colono Portugues, com o seu odio a
cultura e rancor violente para com os costumes e tradicoes africanas,
tentou oficializar, forçando a denominacao de todas as senhoras negras
de “Maria”.
A revolta das comunidades provocaram centenas de mortos entre os camponeses da Baixa de Cassange. Isso nos anos 70.
A tradicao Africana diz-nos que os nossos nomes, de uma certa forma, sao as nossas identidades, as janelinhas das nossas culturas e do nosso ser. Os nossos nomes ligam-nos ao passado, nossos antepassados e se prolongam ate' uma parte das nossas espiritualidades.
Mas quem nao tem cultura nem espiritualidade talvez nunca entendera' do que se trata.
Nasceu de uma conversa com as irmas Tata Akilah Alile e Sara Santos sobre nomes africanos. Elas, la' pelo Brasil, desejam ter uma ligacao mais forte com os seus antepassados e estao despostas, ate' por lei, a ter um nome Africano.
Nao creio que Maria seja um nome negativo neste sentido, mas se o horror das ideologias coloniais se tivessem prolongando e espalhado pelo pais afora, teria acontecido um massacre "total" da nossa identidade e cultura.
Os poucos livros que existem sobre nomes Africanos, geralmente sao repetitivos e se concentram apenas numa parte do Continente. Sem ser da cultura Swahili, nao se encontra nomes Bantus, nomes do sudeste da Africa...muito menos de Angola.
Entao aqui vai a minha contribuicao. Comecei hoje, pesquisarei 100 nomes Angolanos, culturas espalhadas por Namibia, Zambia e o Congo posterioremente, por serem fronteiras e terem um significante numero de Angolanos, e pretendo publicar algo em 2014.
Por favor, nao tenham vergonha de me cobrar, ta'?
A. Kandimba
A revolta das comunidades provocaram centenas de mortos entre os camponeses da Baixa de Cassange. Isso nos anos 70.
A tradicao Africana diz-nos que os nossos nomes, de uma certa forma, sao as nossas identidades, as janelinhas das nossas culturas e do nosso ser. Os nossos nomes ligam-nos ao passado, nossos antepassados e se prolongam ate' uma parte das nossas espiritualidades.
Mas quem nao tem cultura nem espiritualidade talvez nunca entendera' do que se trata.
Nasceu de uma conversa com as irmas Tata Akilah Alile e Sara Santos sobre nomes africanos. Elas, la' pelo Brasil, desejam ter uma ligacao mais forte com os seus antepassados e estao despostas, ate' por lei, a ter um nome Africano.
Nao creio que Maria seja um nome negativo neste sentido, mas se o horror das ideologias coloniais se tivessem prolongando e espalhado pelo pais afora, teria acontecido um massacre "total" da nossa identidade e cultura.
Os poucos livros que existem sobre nomes Africanos, geralmente sao repetitivos e se concentram apenas numa parte do Continente. Sem ser da cultura Swahili, nao se encontra nomes Bantus, nomes do sudeste da Africa...muito menos de Angola.
Entao aqui vai a minha contribuicao. Comecei hoje, pesquisarei 100 nomes Angolanos, culturas espalhadas por Namibia, Zambia e o Congo posterioremente, por serem fronteiras e terem um significante numero de Angolanos, e pretendo publicar algo em 2014.
Por favor, nao tenham vergonha de me cobrar, ta'?
A. Kandimba
O Fogo
A morte não põe termo à sobrevivência comunitária.
"A pessoa que morre não extingue o fogo, os vivos continuam a servir-se dele – o fogo".
Próverbio Ovimbundu (Angola)
Foto: Mumuila, Angola
*Could not find the name of Photographer. Feel free to claim your Photo.
Wednesday, 30 May 2012
Júlio, o rei Afro-Boliviano
Foto: Rainha e Rei da comunidade AfroBoliviana.
Prometo mediante juramento, tomando por testemunha
divindade, que foi através do dom de uma mente aberta que recentemente
aceitei o convite do Embaixador Boliviano na Holanda, sua Excelência Roberto
Cazadilla Sarmiento, para uma conversa e trocas de ideias de natureza e proeza
cultural.
Assim se sucedeu...Enquanto eu, orgulhosamente lhe informava sobre os meus objetivos em provocar uma reconexão mais eficaz
com o continente africano e suas diásporas, o embaixador não hesitou em
expressar a sua afeção e admiração pelos tambores africanos, realçando que
"nós também temos cultura africana na Bolívia".
Há anos que tenho conhecimento sobre a arte Boliviana de
música e dança conhecida como Saya. E de acordo com o pesquisador Afro-Boliviano
Juan Angola Maconde, seria uma palavra do idioma Kikongo, Nsaya, significando
trabalho comunitário liderado por uma voz...Música de trabalho.
Mas confesso que me envergonhei de não me ter lembrado da monarquia Pinedo.
Mas confesso que me envergonhei de não me ter lembrado da monarquia Pinedo.
Com a eleição de Juan Evo Morales Aym em 2006, o primeiro
presidente indígena do país, abriram-se novas portas em prol do reconhecimento
das comunidades, da história e da cultura de matriz Africana, rotuladas inúmeras vezes como extintas ou simplesmente inexistentes na sociedade
Boliviana e entre vários outros países Sul americanos.
Entre 1992 e 2007, Júlio Pinedo foi empossado pelo
prefeito do Distrito de La Paz e ganhou o reconhecimento oficial do Estado Plurinacional
da Bolívia, coroado como o rei cerimonial dos povos
Afro-Bolivianos da província de Yungas, 30 anos após a morte do seu antepassado.
Afro-Bolivianos da província de Yungas, 30 anos após a morte do seu antepassado.
O seu avô, o falecido Bonifácio Pinedo, nascido no inicio do
século passado, foi o último rei. A monarquia é uma das poucas monarquias tradicionais africanas que sobreviveram
até os dias atuais.
Segundo a tradição oral contada pelo rei Bonifácio, o
mesmo foi o membro mais antigo da comunidade, um nobre descendente direto do
Congo, antes da invasão total colonial da França e Bélgica. Afirmando
que, na era colonial a dinastia foi reduzida à escravidão e trazida para o novo mundo pelos
"conquistadores" espanhóis.
Quem diria!!!
A arte Saya e a coroação do rei, entre outras manifestações
culturais, têm sido peças fundamentais para com a auto-estima e identidade do
povo Afro-Boliviano, justamente reconhecidos pelo atual Presidente, depois de
mais de 500 anos de existência e resistência.
(A.Kandimba)
Fotos: 1 Maegan La Mala. 2 do blog "We of the Saya/Abnomad Media. 3 Americas Quartely.
Fotos: 1 Maegan La Mala. 2 do blog "We of the Saya/Abnomad Media. 3 Americas Quartely.
Sunday, 22 April 2012
Buscando raízes
Primeira foto:Carnaval da Vitória de Antonio Ole' 1978 (Luanda, Angola).
Segunda foto:Mãe Menininha (centro) e suas sacerdotisas do candomblé Ilé Axé no Yá Masse templo, Salvador, Bahia, 1940-41. Lorenzo Dow Turner Papers, Anacostia Community Museum Archives, Smithsonian Institution.
Em 1975, o invasor foi expulso juntamente com a sua bandeira.
Os motivos do divertimento e alegria nos rostos e nas palmas das mãos das senhoras, (ver imagem), devem-se as celebrações decorrentes aos preparativos do Carnaval da Vitória em 1978. O primeiro Carnaval da cidade de Luanda, capital de Angola, após a independência total do regime racista, fascista e desumano colonial português.
As senhoras, de maioria falantes da língua Kimbundo e de descendência Axiluanda ou Aluandas, distinguidas honradamente de Bessanganas, senhoras de respeito, do português a sua bênção n’gana (minha senhora), encantam as ilhas há centenas de anos, com os seus tambores de couro e de lata, cultuando uma divindade ancestral do mar...A Kianda.
Mas a curiosidade se destaca nos panos e trajes que se vestem.
Os trajes, em certos sectores do Candomblé Ketu e Jeje são tão semelhantes aos das senhoras das ilhas de Luanda...A maneira de amarrar os panos e o uso das missangas por dentro.
E’ necessário realçar que essas mesmas senhoras, de uma certa forma, desconhecem o Candomblé do Brasil.
Fala-se tanto de purezas por esse mundo afora, mas será esta a origem e o fundamento?
(A. Kandimba)
Candomblé Ketu (pronuncia-se queto) é a maior e a mais popular "nação" do Candomblé, uma das Religiões afro-brasileiras.
No início do século XIX, as etnias africanas eram separadas por confrarias da Igreja Católica na região de Salvador, Bahia. Dentre os escravos pertencentes ao grupo dos Nagôs estavam os Yoruba (Iorubá). Suas crenças e rituais são parecidos com os de outras nações do Candomblé em termos gerais, mas diferentes em quase todos os detalhes.
Teve inicio em Salvador, Bahia, de acordo com as lendas contadas pelos mais velhos, algumas princesas vindas de Oyó e Ketu na condição de escravas, fundaram um terreiro num engenho de cana.
(Silveira, Renato da. Candomblé da Barroquinha. Editora Maianga, 2007.)
Candomblé Jeje, é o candomblé que cultua os Voduns do Reino de Dahomey levados para o Brasil pelos africanos escravizados em várias regiões da África Ocidental e África Central. Essas divindades são da rica, complexa e elevada Mitologia Fon. Os vários grupos étnicos - como fon, ewe, fanti, ashanti, mina - ao chegarem no Brasil, eram chamados djedje (do yoruba ajeji, 'estrangeiro, estranho'), designação que os yoruba, no Daomé atribuíam aos povos vizinhos, introduziram o seu culto em Salvador, Cachoeira e São Felix, na Bahia, em São Luís, no Maranhão, e, posteriormente, em vários outros estados do Brasil.
(CACCIATORE, Olga Gudolle. Dicionário de cultos afro-brasileiros.)
Sunday, 25 March 2012
Dinyanga...O caçador
DINYANGA...
o espírito caçador Axiluanda
que encanta e protege, com rigorosa Ombanda,
as florestas de Kissama, de Matamba, do N'dongo e de Luanda.
As suas palavras, amadas acima de todos e de tudo
e em Kimbundu,
Uikila Mbondo huinhi ji ku bua
e em Kimbundu,
Uikila Mbondo huinhi ji ku bua
“Ateia o embondeiro (Baobab) que a lenha se te acaba”
Refletem a profundidade da sua sabedoria e mistério.
(A. Kandimba)
Referência: Carnaval, a maior festa do povo Angolano.
(A. Kandimba)
Referência: Carnaval, a maior festa do povo Angolano.
Roldão Ferreira
Subscribe to:
Posts (Atom)










