Tuesday, 17 May 2011

Café com o Léo!



Quem me conhece, sabe muito bem que o meu café tem que possuir aromas e sabores meio exóticos. Chocolate, Vanila, Gengibre, etc.

 
E quando puro, com açúcar mascavo acompanhado por uma gota de limão.

Detesto café amargo! So’ me faz lembrar o Leonardo.

O Léo (Leonardo), que ja’ contava com os seus dezoito anos de idade, nos meus olhos era do tamanho da serra da Leba, inorme!

E sempre tinha a sorte de me encontrar sozinho. Era rara a ocasião em que alguém me encontra-se sem os meus irmãos mais velhos.


Recentemente, o mesmo ao me ver passar, não exitou em me convidar para tomar um café e relembrar os velhos tempos em que moravamos no outro lado do Rio Tejo em Lisboa.

Aceitei o convite, apesar de nunca ter sido de amizades com ele.

O Léo falou de tudo...Bem quase tudo. Esqueceu-se que um dia vinha eu, criança de doze anos, fatigado e suado dos meus jogos de futebol, quando estacionou o seu corpo em minha frente.

Com um sorriso meio sarcástico, perguntou-me se tinha ocorrido algum incêndio no lugar de onde eu teria vindo.
Quando lhe respondi que não, ele simplesmente comentou que eu vinha de lá “todo queimado”.

Ao reparar que eu não fui um adepto da sua piada humiliante, no bater das minhas costas disse que era tudo uma brincadeira. E sendo uma brincadeira, eu não deveria levar a peito.

Mais de vinte anos depois, enquanto tomavamos o café, por cada gole, o Léo foi me perguntando se o sabor era do meu agrado.

 
Fui possuido pelo mesmo espirito dos meus doze anos de idade e pensei:

“BRANCO FILHO DA P@TA!”

Zelão meu irmão



Para os “pretinhos” vindos de Angola como eu, não havia melhor momento de nos livrarmos das melodias que inúmeras vezes eram encantadamente celebradas, por meios de rimas, pelas crianças das ruas de Lisboa...com um pouco de ajuda dos nossos murros e pontapés, claro!

Os Pretos da Guiné lavam a cara com chulé cantavam eles.

A novela “O Bem Amado” possuia o poder de silenciar as ruas mesmo antes do pôr-do-sol. Para mim se revelava a hora do show do Zelão das Asas!

No nosso cotidiano, por mais jubilante que as  brincadeiras se tornassem, aquele momento era de ansiedade e sentimentalismo. Mexia com os nossos corações.
Assistir Milton Goncalves e sua ideia de voar pelos céus de Sucupira era crucial! Uma fonte de auto-estima!
O Zelão não era estúpido! E nele se refletia as images da fé e dignidade.

Por mais que eles nos tentassem desmoralizar chamando de Zelão a qualquer negro que passa-se, ele era o nosso orgulho secreto. Tanto quanto que preservamos esse titulo para um  nosso irmão que fisicamente nos podia defender de intemidações.

E’ com bastante brio e quase lágrimas nos olhos que trago a memória da manhã seguinte em que Zelão triunfou;

Os branquinhos “ é pá o preto é maluco mas voou”...
E nós negros, brilho nos olhos, semi sorridentes...orgulho incógnito!

EU QUERO O MEU ZELÃO!